Metodologia e Pesquisa

METODOLOGIA –CATALOGAÇÃO E PESQUISA

INTRODUÇÂO

O esforço de catalogação do Instituto é um trabalho contínuo que se iniciou com uma etapa proativa, que culminou com a publicação em 2015 do Catálogo de Obras do Artista – Edição Comemorativa do Centenário da Primeira Pintura, onde constam 2.646 obras de autoria atribuída a Volpi. De 2015 em diante, o esforço permanece de forma contínua, mas mais de forma reativa e inercial quando comparado a fase anterior, mas que já conseguiu catalogar aproximadamente 400 trabalhos nesses últimos 5 anos. Atualmente, em 2020, o catálogo contém, em sua base de dados, aproximadamente 3.000 obras com autoria atribuída a Volpi.

Na etapa inicial, o time de pesquisa e catalogação buscou obstinadamente, durante aproximadamente 10 anos, de forma minuciosa e exaustiva determinar o paradeiro das obras, dispersas em museus e coleções privadas no Brasil e no exterior; levantar e a identificar obras até então desconhecidas pelos especialistas; elaborar procedimentos metodológicos de pesquisa, catalogação e sistematização de dados; desenvolver uma plataforma online para o gerenciamento da informação (base de dados); e garantir, sempre que possível, a qualidade dos registros fotográficos para fins documentais.

A descrição minuciosa, feita a seguir, da metodologia usada nessa etapa encerrada em 2015, permite a compreensão do know-how, hoje detido pelo Instituto e que permite a continuidade dos trabalhos como o mesmo rigor metodológico.

METODOLOGIA

A publicação Alfredo Volpi – Catalogação de Obras 2015 é resultado do trabalho de pesquisa e catalogação desenvolvido antes pela Associação para Catalogação das Obras de Alfredo Volpi e, agora, pelo Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna. Esta publicação atualiza o conjunto de trabalhos atribuídos ao artista, que passa a contar com 2.646 obras, das quais 408 são adicionais à catalogação realizada pela Associação, publicada em 2000 no formato CD-ROM.

O Instituto Volpi acumula sistematicamente um vasto conjunto de informações sobre obras encaminhadas por coleções em uma base de dados. A partir de 2012, por iniciativa do Instituto, foram retomados os trabalhos de catalogação interrompidos desde 2000, quando se divulgou o cd-rom da Associação. Numa primeira fase, concluída em julho de 2014, o Instituto contou com a parceria da empresa Base7 Projetos Culturais e incentivos da Lei Rouanet. Ao longo de dois anos, pesquisou-se exaustivamente com o propósito de levantar a fortuna crítica do artista e suas obras, em seus aspectos biográficos, históricos e críticos.

Entre 2012 e 2013, o foco principal foi rever a catalogação publicada em 2000, e complementá-la com as informações museológicas de cada obra. Buscou-se mapear exaustivamente a tradição de cada trabalho, desde sua criação, incluindo participações em exposições individuais e coletivas e, também, a divulgação em diversos registros, tanto em reproduções quanto em citações. A revisão documentou 442 exposições (entre salões e bienais, mostras coletivas, curadorias, mostras individuais e retrospectivas) e cerca de 800 fontes bibliográficas sobre o artista e sua obra.

Além da revisão e complementação bibliográfica, a primeira fase incluiu no catálogo um conjunto de obras inéditas, a saber: exemplares pertencentes a acervos museológicos e/ou coleções institucionais que reuniram condições para a aprovação da comissão técnica; obras de âmbito público, encomendadas por terceiros e realizadas em afresco, painéis e/ ou murais; e também aquelas consideradas inquestionáveis pela comissão técnica, cuja importância histórica é inegável no desenvolvimento do trabalho do Mestre. Resultam desta primeira fase a inclusão de 96 obras relevantes.

A segunda fase, encetada no primeiro semestre de 2015, dedicou-se a continuar o trabalho de catalogação de novas obras, sob coordenação da pesquisadora Tatiana Sampaio Ferraz. Neste curto período, foram analisados mais de 400 trabalhos, dos quais 312 foram atribuídos ao artista e incluídos no catálogo. Este novo conjunto de obras abrange um amplo período, desde 1914 até princípios da década de 1980, e inclui outras linguagens para além do óleo e da têmpera, como guaches, desenhos e azulejos.

O presente catálogo, assim, reúne 2.646 obras atribuídas a Alfredo Volpi. Atualmente, estima-se que o artista tenha produzido cerca de 4 mil obras ao longo de setenta anos. Cerca de 600 itens já estão identificados pelo Instituto Volpi e aguardam a complementação de elementos necessários a que recebam o respectivo número de tombo para serem incluídos no catálogo.

METODOLOGIA DE PESQUISA

Para garantir o máximo possível de objetividade ao trabalho de pesquisa e catalogação, valorizou-se desde o início o cotejamento das fontes e a confrontação com as informações acumuladas ao longo da última década na base de dados do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna. A pesquisa levantou o maior número possível de fontes bibliográficas, documentação sobre exposições e arquivos pessoais, a fim de exaurir o histórico de cada uma das obras.

Um dos principais materiais levantados foi a catalogação pioneira das obras de Alfredo Volpi realizada em 1978 sob a coordenação do então diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Pietro Maria Bardi, com a participação do próprio artista e a curadoria de João Marino, Jorge Carvalho e Marco Antonio Mastrobuono. A documentação resultante daquela catalogação está depositada na Biblioteca e Centro de Documentação do Masp. A observação minuciosa das pastas arquivadas, com cerca de 800 fichas catalográficas de obras identificadas com fotografias impressas, forneceu informações preciosas, que foram confrontadas com a base de dados do Instituto.

Outra fonte importante para a pesquisa foi a consultoria da historiadora da arte Aracy A. Amaral, responsável por uma das primeiras grandes retrospectivas do

artista, realizada em 1972 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O arquivo pessoal da curadora relativo à documentação do estudo feito para a exposição foi disponibilizado à pesquisa para consulta e forneceu grande subsídio para o cruzamento de dados entre as fontes.

O Instituto Volpi teve papel decisivo no andamento do projeto e em seu êxito, principalmente no que concerne ao trabalho minucioso de catalogação, fornecendo esclarecimentos técnicos e históricos para a verificação das informações localizadas sobre as obras e sobre os aspectos biográficos do artista – desde análises precisas sobre o percurso das obras até processos de fatura característicos do artista.

Ficou evidente que a elaboração deste tipo de catálogo exige um trabalho minucioso e exaustivo, a fim de: determinar o paradeiro das obras, dispersas em museus e coleções privadas no Brasil e no exterior; levantar e a identificar obras até então desconhecidas pelos especialistas; elaborar procedimentos metodológicos de pesquisa, catalogação e sistematização de dados; desenvolver uma plataforma online para o gerenciamento da informação (base de dados); e garantir, sempre que possível, a qualidade dos registros fotográficos para fins documentais.

Tendo em vista tais considerações, o trabalho foi organizado nas seguintes etapas:

1ª ETAPA : PESQUISA

A primeira etapa consistiu no levantamento de dados iniciais, com base na biografia e na bibliografia sobre o artista indicadas pelo Instituto Volpi. Nessa etapa, participaram do projeto a museóloga Maria Eugênia Saturni, como coordenadora geral; a pesquisadora Tatiana Sampaio Ferraz, como coordenadora de pesquisa; e as estagiárias Denise Yonamine e Deborah Salles Neves Machado.

A pesquisa inicial tomou como base as duas publicações produzidas pela Associação para Catalogação da Obra de Alfredo Volpi em formato de cd-rom, que contêm, além das obras, uma relação de exposições, bibliografia e premiações do artista. São elas:

  1. ALFREDO Volpi: vida e obra. Coord. Ladi Biezus. Roteiro Olívio Tavares de Araújo. São Paulo: Sociedade para Catalogação da Obra de Alfredo Volpi, 1997;
  2. ALFREDO Volpi: catalogação da obra. São Paulo: Sociedade para Catalogação da Obra de Alfredo Volpi, 2000 (fomento: Lei Mendonça/patrocínio: Logos Engenharia).

Observa-se que, na publicação de 1997, há apenas uma amostragem do trabalho inicial de catalogação realizado pela Associação, com cerca de 200 obras exemplares da produção do artista. Já a segunda publicação abarca o esforço de catalogação completa das obras de Volpi, realizado em 2000, que certificou 2.238 obras atribuídas ao artista.

Ambas as fontes serviram de base para o trabalho de pesquisa iniciado em 2012, no que concerne à revisão e complementação dos dados publicados sobre as obras atribuídas ao artista até então. As informações coletadas em ambas as fontes foram registradas e indexadas pela equipe de pesquisa na base de dados do projeto. Os levantamentos biográfico e bibliográfico nelas contido norteou igualmente as etapas subsequentes de catalogação.

Além das publicações da Associação que serviram de base ao estudo, a pesquisa buscou esgotar o levantamento bibliográfico e da fortuna crítica do artista em acervos e arquivos, públicos e privados, e bibliotecas especializadas em arte, localizados principalmente em São Paulo, a saber:

  1. Documentação Aracy Amaral 1972-2013 (documentos gerados na pesquisa feita pela historiadora e curadora quando da retrospectiva do artista em 1972);
  2. Catalogação Alfredo Volpi 1978 (documentação depositada na biblioteca do Masp);
  3. Biblioteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM-SP;
  4. Arquivo Wanda Svevo, da Fundação Bienal de São Paulo;
  5. Biblioteca Municipal Mario de Andrade – bmma;
  6. Documentação do Departamento de Informação e Documentação Artística (Idart), depositada no Centro Cultural São Paulo;
  7. Biblioteca do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp;
  8. Biblioteca do Instituto de Estudos Brasileiros – ieb-usp; 15
  9. Biblioteca do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – mac-usp;
  10. Biblioteca da Pinacoteca do Estado de São Paulo;
  11. Documentação sobre obras de acervos museológicos e/ ou institucionais: Museu de Arte Brasileira – MAB-Faap; Instituto Cultural Itaú; Museu de Arte de Santa Catarina; Acervo de Arte do Banco Central do Brasil; Fundação Edson Queiroz; Museu de Arte Moderna da Bahia; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museus Raymundo Ottoni de Castro Maya – Ibram/MinC; Capela São Pedro da Usina de Monte Alegre.

Nessa etapa de pesquisa, foram analisados diversos tipos de fontes documentais e bibliográficas, que colaboraram para o levantamento da fortuna crítica do artista:

  1. as próprias obras, incluindo inscrições manuscritas e/ou impressas pelo artista nas obras;
  2. entrevistas e depoimentos do artista, em meio impresso e/ou audiovisual;
  3. dados fornecidos por outras fontes que não o autor da obra, existentes na obra (etiquetas e inscrições de terceiros) ou que a acompanham (documentos recebidos e/ou eventualmente produzidos quando de sua aquisição);
  4. artigos em jornais, revistas especializadas e de interesse geral, em meio impresso e digital;
  5. materiais audiovisuais;
  6. inventários;
  7. depoimentos e entrevistas de críticos e especialistas que acompanharam o desenvolvimento da obra do artista, publicados em meio impresso, digital e/ou audiovisual;
  8. bibliografia científica especializada, como dissertações e teses;
  9. antologias de acervos públicos e institucionais;
  10. textos de apresentação e listas de obras publicados em catálogos de exposições individuais e coletivas e em catálogos de leilões;
  11. textos críticos e ensaísticos publicados em livros monográficos e/ou em capítulos de livros;
  12. obras de referência, como enciclopédias e dicionários de arte brasileira;
  13. citações e reproduções de obras em livros sobre arte em geral.

A pesquisa bibliográfica possibilitou o aprofundamento da cronologia da vida e da obra de Alfredo Volpi, a construção de sua fortuna crítica e o registro da trajetória de sua produção, por meio da participação em exposições. Devido à dinâmica do circuito cultural, com a publicação de novos artigos em periódicos, de livros,

catálogos de exposições e leilões, o armazenamento dos dados foi um trabalho contínuo de registro, indexação e compartilhamento facilitada pela base de dados.

Para a formatação das fontes de pesquisa, foi necessária a contratação de uma bibliotecária documentalista para a implementação das normas do projeto, a formatação, a organização e a revisão das informações. A normalização das fontes ficou a cargo da bibliotecária Shirlene Arruda e toda informação foi indexada e gerenciada na base de dados do projeto.

TRATAMENTO DAS INFORMAÇÕES COLETADAS

Em seguida, coube à coordenadora de pesquisa, Tatiana Sampaio Ferraz, a checagem da denominação das obras, a revisão inicial das fichas técnicas, a indicação da necessidade de complementos de pesquisa, a indexação de descritores de temas às obras e a indexação de excertos de textos sobre a produção da obra.

Para a conferência dos dados das obras catalogadas, definiu- se as seguintes publicações como fontes de pesquisa referenciais para a obra do artista:

  • CATALOGAÇÃO da obra de Alfredo Volpi. Coord. Pietro Maria Bardi. São Paulo, 1978 (documentação depositada na Biblioteca e Centro de Documentação do Masp);
  • AMARAL, Aracy A. (org.). Alfredo Volpi: pintura (1914-1972). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna, 1972;
  • COELHO, Diná Lopes (org.). Retrospectiva Alfredo Volpi. Apres. Paulo Mendes de Almeida. São Paulo: Museu de Arte Moderna, 1975;
  • ARAÚJO, Olívio Tavares de (cur.). Volpi: a visão essencial. Apres. Marilúcia Nucci Vacchiano. Campinas: Museu de Arte Contemporânea de Campinas, 1976;
  • PEDROSA, Mario (org.). Volpi, 1924-1957. Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna, 1957;
  • ARAÚJO, Olívio Tavares de (cur.). Volpi: 90 anos. São Paulo: Museu de Arte Moderna, 1986;
  • ARAÚJO, Olívio Tavares de (cur.). Volpi: a música da cor. São 16 Paulo: Museu de Arte Moderna, 2006;
  • MAMMÌ, Lorenzo. Volpi. São Paulo: CosacNaify, 1999 (Espaços da arte brasileira);
  • SALZSTEIN, Sônia; ROESLER, Sílvia (coord.). Volpi. São Paulo: Campos Gerais, 2000.

Quanto ao cotejamento de dados das obras, duas instâncias foram reconsideradas em relação à catalogação de 2000, títulos e datação, prevalecendo sempre a informação das fontes acima citadas:

  1. o projeto manteve a titulação “Sem título” adotada em 2000 para todas as obras pertencentes a coleções particulares; para as obras em acervos museológicos e/ou institucionais, prevaleceu a titulação proveniente dos acervos patrimoniais como título principal;
  2. sobre a datação das obras, sabe-se que o artista não as datava. Nesse sentido, o projeto adotou a norma da catalogação feita pela Associação em 2000, atribuindo datação aproximada por década, podendo ser início, meados ou fim da década;
  3. quando os acervos institucionais e/ou museológicos enviaram datas mais precisas, a data foi cotejada com outras fontes; caso não apresentasse disparidade entre períodos, a data do acervo foi adotada;
  4. quando a equipe de pesquisa localizou documentação suficiente que indicasse uma datação mais precisa, convencionou- se datar a obra naquele ano ou período estimado, à exemplo de datações identificadas na catalogação de 1978.

2ª ETAPA : CATALOGAÇÃO

Para o desenvolvimento desta etapa, foram definidos alguns princípios de catalogação e normatização de informações de modo a adequá-los ao conjunto de documentos, a saber:

  • a lista de obras catalogadas pela Associação não foi revista; apenas foram feitas correções de informações decorrentes de possíveis enganos e/ou complementos de referências bibliográficas, participação em exposições e premiações;
  • a fim de evitar futuras confusões, o projeto adotou a numeração das obras catalogadas pela Associação precedida pela sigla acoav; as novas obras catalogadas seguiram a numeração sequencial, a partir do 2501, precedidas pela sigla iavam, respeitando assim a continuidade da etapa anterior;
  • as obras que foram rejeitadas nas etapas anteriores, entretanto, puderam ser reexaminadas pela comissão técnica nos casos em que a equipe de pesquisa reuniu novos documentos sobre as mesmas; a documentação inédita levantada pelo projeto subsidiou uma nova análise da comissão

 

técnica, que eventualmente atribuiu a obra ao artista, incluindo- a no presente catálogo;

  • o Instituto Volpi acatou o critério da Associação, mantendo a decisão de que as obras e os documentos oriundos do ateliê do artista a partir de 1984 não deveriam ser incluídos no catálogo.

Entre 2012 e 2013, a pesquisa identificou algumas ausências importantes na produção do artista, principalmente quanto às obras públicas – boa parte em afrescos e pinturas-murais e grande parte das obras presente em acervos museológicos. Definiu-se, assim, que a primeira fase do projeto deveria priorizar tais obras, as quais foram analisadas pela comissão técnica do Instituto Volpi para inclusão neste catálogo.

Os acervos museológicos e/ou coleções institucionais que tiveram suas obras incluídas na etapa de catalogação estão listados a seguir:

  • Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo;
  • Acervo de Arte do Banco Central do Brasil, Brasília, DF;
  • Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros – IEB-USP, São Paulo;
  • Fundação Edson Queiroz, Fortaleza;
  • Fundação José e Paulina Nemirovsky, São Paulo;
  • Galleria Internazionale di Arte Moderna di Ca’Pesaro, Veneza, Itália;
  • Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna, São Paulo;
  • Instituto Cultural Itaú, São Paulo;
  • Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC-USP, São Paulo;
  • Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado – MAB-FAAP, São Paulo;
  • Museu de Arte de Santa Catarina – MASC, Florianópolis;
  • Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA, Salvador;
  • Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM-RJ, Rio de Janeiro; 17
  • Museu Nacional de Belas-Artes/Ibram/MinC – MNBA, Rio de Janeiro;
  • Museus Raymundo Ottoni de Castro Maya – Chácara do Céu, Rio de Janeiro.

Quanto às obras públicas, a pesquisa incluiu a catalogação de afrescos, painéis e murais, identificados nas cidade de São Paulo, no interior do Estado e em Brasília. A saber:

  • Capela Cristo Operário;
  • Hospital São Luis Gonzaga;
  • Capela São Jorge da Usina de Monte Alegre;
  • Palácio do Itamaraty.

A condição necessária para a inclusão de obras no catálogo estabelecida nos termos em que a equipe de pesquisadores teria acesso à obra para proceder à coleta dos dados físicos, à análise inicial do estado de conservação, ao registro (de trabalho) e, sempre que possível, aos documentos de aquisição e procedência.

No decorrer do trabalho de catalogação, a pesquisa encontrou diversas obras citadas em correspondências e depoimentos ou reproduzidas em jornais, livros e revistas que não foram identificadas na catalogação da Associação em 2000; elas somam cerca de 340 obras, foram registradas a partir das fontes de pesquisa e estão devidamente documentadas na base de dados para futura análise.

ANÁLISE DA COMISSÃO TÉCNICA

A comissão técnica avaliou as obras catalogadas pela equipe em reuniões realizadas na sede do Instituto Volpi, com a participação de membros do Iavam. Somente a equipe da comissão técnica teve poderes para deliberar sobre a inclusão neste catálogo das obras examinadas e por ela declaradas de autoria do artista.

As decisões foram tomadas após análise detalhada de cada obra apresentada à comissão, incluindo a descrição completa da obra, com ficha técnica, condições atuais, histórico de propriedade, listas de reproduções em fontes de pesquisa, participações em exposições e premiações, documentos anexos, imagens em alta resolução com pormenor das inscrições na frente e no verso. Foram observados aspectos estéticos, históricos e técnicos de cada obra, bem como a classificação do trabalho nas diversas fases do artista.

Todas as decisões da comissão foram tomadas em caráter de unanimidade. Quando ela não ocorreu e a dúvida persistiu, a obra foi mantida em pesquisa. Houve três pronunciamentos quanto à análise da obra pela comissão:

  • autoria reconhecida;
  • autoria não reconhecida;
  • manter em pesquisa.

Das obras analisadas pela Associação para Catalogação da Obra de Alfredo Volpi até 2000:

  • 2.238 tiveram autoria reconhecida e receberam números de tombo precedidos pela sigla ACOAV;

Das obras analisadas pelo Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna a partir de 2012:

  • 96 tiveram autoria reconhecida, na primeira fase, e receberam números de tombo precedidos pela sigla IAVAM, a partir do número 2501.
  • 312 tiveram autoria reconhecida, na segunda fase, e receberam números de tombo precedidos pela sigla IAVAM, a partir do número 2597.

3ª ETAPA : EDIÇÃO E PUBLICAÇÃO

O resultado de todo a pesquisa sobre as obras catalogadas e atribuídas à Volpi foi organizado na forma de verbetes, com dados sobre cada uma das obras, na seguinte sequência:

  • número de tombo;
  • imagem em thumb;
  • título;
  • dados de produção;
  • autores (se em coautoria com terceiros);
  • dados técnicos;
  • localização;
  • inscrições;
  • obras associadas;
  • exposições;
  • fontes de pesquisa.

Para a publicação impressa, definiu-se que a ordem dos verbetes deveria obedecer aproximadamente à ordem cronológica crescente pelo ano de produção, sendo que, no mesmo ano, seguiu-se a seguinte sequência de tipos de data:

  • exata (atribuída ou não);
  • cerca de;
  • duvidosa;
  • período provável (considerou-se o primeiro ano do período);
  • década;
  • desconhecida.

NÚMERO DE TOMBO

Conforme citado anteriormente, para a geração do número de tombo, adotou-se a forma sequencial, de acordo com os seguintes formatos e critérios:

  • ACOAV 0001 e assim por diante (para as obras atribuídas ao artista até 2000);
  • IAVAM 2501 e assim por diante (para as obras catalogadas a partir de 2012).

AUTOR

Salvo quando explicitado, todas as obras incluídas neste catálogo são de autoria exclusiva de Alfredo Volpi. O cabeçalho “outros autores” se aplica em casos de obras executadas a quatro mãos.

TÍTULOS

Poucas foram as obras intituladas pelo artista. A catalogação atual adotou a denominação “Sem título” para todas as obras, seguindo a catalogação de 2000, com exceção das obras pertences a acervos institucionais e/ou museológicos, para as quais foram adotados os títulos atribuídos pelos respectivos acervos patrimoniais.

Ao longo dos anos, algumas obras foram intituladas por críticos, historiadores de arte e colecionadores e publicadas em diferentes fontes de pesquisa. Para a presente catalogação, convencionou-se publicar sob o cabeçalho “outros títulos” as denominações encontradas nas fontes de referência sobre Volpi (ver lista na 1ª etapa), com as respectivas fontes de pesquisa creditadas entre parênteses, sob a forma resumida, mas cujas referências bibliográficas completas são listadas na bibliografia, ao fim deste catálogo.

Além disso, no decorrer da pesquisa, alguns títulos foram atribuídos pela comissão técnica ou pela equipe de pesquisa com o intuito de aproximar conjuntos de obras por seu assunto e/ou composição, fornecendo mais dados sobre a obra para o leitor. Para esses casos, os títulos atribuídos pelo projeto foram publicados no cabeçalho “outros títulos”, sempre grafados entre colchetes, conforme estabelece a normatização museológica.

DADOS DA PRODUÇÃO

Nesse conjunto de informações, registram-se os dados sobre data e local de produção, além de possíveis séries a que a obra eventualmente pertença.

SÉRIE

Volpi não criou nomenclaturas de séries no decorrer de sua produção. No entanto, a pesquisa pôde reconhecer agrupamentos possíveis de séries, cabendo à comissão validar ou não a proposta. Quando a obra pertencer a uma série, a referência a ela se encontrará logo abaixo do título.

DATA DE PRODUÇÃO

A atribuição de data para as obras foi diferenciada em seis tipos de datação:

  • exata – utilizada quando não há dúvidas sobre a data de produção;
  • desconhecida – usada quando não há como estimar a data de produção. Nesse caso, registra-se s.d. (sine data);
  • cerca de – utilizada quando se estima o ano de produção, precedido de c. (circa);
  • década – termo utilizado para obras em que só se pôde atribuir a década de produção. O decênio é precedido da abreviação déc. No caso específico de Volpi, a catalogação adotou a qualificação por década

 

adotada pela Associação, a fim de precisar, quando possível, o período dentro de uma década. Assim, a datação por década ficou subdividida em: início da década, início/meados da década, meados da década, meados/fim da década, fim da década;

  • período provável – opção usada quando se estima o período; por exemplo, a produção de uma obra que se estende por mais de um ano. Nesses casos, os anos são separados por hífen (-);
  • duvidosa – utilizada quando existir alguma dúvida em relação à datação atribuída. Nesse caso, a data é seguida de um sinal de interrogação (?).

LOCAL DE PRODUÇÃO

A pesquisa identificou o local de produção das obras daquelas cuja ocorrência é indissociável do lugar de produção (afrescos, murais, painéis, vitrais).

RECONHECIMENTO DA DATA DE PRODUÇÃO

Quando a data de produção é grafada pelo artista no suporte, as informações são dadas de forma direta; quando a data é atribuída pela catalogação, elas aparecem entre colchetes para as datas indexadas como “exatas”. Para os demais tipos, há sinalizações específicas já descritas anteriormente.

DADOS TÉCNICOS

Esse conjunto de informações registra as técnicas e os materiais envolvidos na obra.

TÉCNICA E SUPORTE

Os materiais utilizados na confecção de cada uma das obras são registrados, seguidos do respectivo suporte; para os desenhos, adotou-se a seguinte ordenação: “grafite” seguido de outros materiais listados por ordem alfabética. Quando a técnica e/ou o suporte não puderam ser identificados, foram adotados os termos “técnica não identificada” e “suporte não identificado”.

DIMENSÕES

As dimensões são indicadas em centímetros (cm), obedecendo à ordem: altura x largura. Sempre que possível, as pinturas e os papéis foram medidos pelo verso. No caso de obras com medidas irregulares, foram consideradas as maiores dimensões.

Na ausência de informações na documentação, adotou-se o termo “dimensões desconhecidas”.

CRÉDITO DE PROPRIEDADE

Na catalogação, adotou-se o termo “coleção particular” para os créditos de propriedade de todas as obras pertencentes a coleções privadas, exceto quando o proprietário manifestou desejo de creditar a coleção nominalmente. Quanto aos acervos museológicos e/ou coleções institucionais, coube a cada um deles especificar o crédito apropriado para fins de publicação no catálogo. Para as novas obras catalogadas, documentadas em publicações e não localizadas pela equipe de pesquisa, foi adotado o seguinte crédito: “Não localizada em 2012-2013”.

INSCRIÇÕES

Assinaturas, datas, locais e demais inscrições feitas por Alfredo Volpi, na frente e no verso da obra, foram transcritos na íntegra, entre aspas, precedidos da sigla referente à localização de cada inscrição. Etiquetas e inscrições de importância histórica foram igualmente transcritos e incluídos no verbete da obra. As abreviações de localização da inscrição são:

FRENTE

c.s.e. – canto superior esquerdo

ac.e. – acima, à esquerda

ac.c. – acima, ao centro

ac.d. – acima, à direita

c.s.d. – canto superior direito

c.e. – centro, à esquerda

  1. – centro

c.d. – centro, à direita

c.i.e. – canto inferior esquerdo

ab.e. – abaixo, à esquerda

ab.c. – abaixo, ao centro

ab.d. – abaixo, à direita

c.i.d. – canto inferior direito

  1. – acima
  2. – abaixo

VERSO

para as inscrições do verso, incluiu-se a sigla “v.” na frente das localizações.

Quebras de linha de uma inscrição são indicadas com uma barra (/). Quando necessário, todas as qualificações das inscrições foram registradas entre parênteses, após a transcrição das mesmas.

Na ocorrência de obra não vista pela equipe de pesquisa, mas documentada em publicações, as informações sobre a inscrição foram adotadas conforme constam na publicação. No entanto, nem sempre os dados quanto ao conteúdo da inscrição ou ao local da mesma estão completos. Nesses casos, indica-se “s/ind.” (sem indicação).

Quando a obra não for assinada, registra-se “sem assinatura”. Quando a equipe de pesquisa identificou a existência de uma assinatura por meio das fontes de referência do artista, principalmente da catalogação de 2000, mas não houve informações de transcrição da mesma, adotou-se o termo “sem informações” no campo da transcrição.

OBRAS ASSOCIADAS

Quando possível, foram feitas associações entre obras, relacionadas por meio dos respectivos números de tombo. As associações foram atribuídas levando em conta a proximidade das obras em termos de composição e pictóricos ou por aproximação de assuntos e designam as “versões” daquelas mesmas obras. Tomou-se, quando possível, a obra mais recente como a primeira e principal, de onde foram

relacionadas todas as remissões de obras similares. Além disso, obras que compartilham o mesmo suporte também foram relacionadas neste item do verbete.

EXPOSIÇÕES

Apresenta as exposições individuais, incluindo as retrospectivas, e as mostras coletivas das quais a obra participou. Nos verbetes do catálogo impresso, os dados sobre as exposições aparecem em sua forma resumida: ano de realização e título da exposição. As respectivas formas completas são identificadas na listagem de exposições, ao fim deste catálogo. No caso de exposições itinerantes, os títulos são seguidos das cidades onde a mostra foi realizada, grafadas entre parênteses.

Observa-se, entretanto, que em diversas exposições não foi possível identificar as obras participantes daquela mostra, ou porque a listagem publicada no catalogo era incompleta, ou porque as informações da obra eram insuficientes para o cotejamento mais preciso.

FONTES DE PESQUISA

As fontes de pesquisa levantadas e consultadas foram organizadas nas seguintes subcategorias:

  • álbuns, dicionários e enciclopédias;
  • livros;
  • antologias de coleções;
  • catálogos de exposições individuais, catálogos de exposições coletivas, catálogos de leilões;
  • material gráfico de exposições (folhetos, folders, convites, banners);
  • revistas especializadas;
  • revistas de interesse geral;
  • jornais;
  • produção acadêmica (dissertações e teses);
  • anais e boletins;
  • documentação de apoio;
  • Internet (sites);
  • vídeos e cd-roms;
  • áudios.

Para cada verbete, as fontes de pesquisa foram listadas em sua forma resumida, no formato “autor, ano de publicação” (as respectivas referências bibliográficas completas, segundo as normas da abnt, foram relacionadas ao fim desde catálogo).

Em cada fonte, após os dados resumidos, foi indicada a forma de ocorrência daquela referida obra: citação, reprodução colorida (reprodução: color), reprodução em preto e branco (reprodução: p&b) e/ou ficha técnica da obra. Para as fontes de pesquisa impressas, o número da(s) respectiva(s) página(s) antecede a forma de ocorrência. Caso não haja número de paginação na publicação impressa, foram adotadas as siglas “s.p.” (sem página).

Desta forma, o esforço de catalogação das obras de Alfredo Volpi espera ter contribuído para o enriquecimento e alcance das pesquisas acerca do percurso do artista e de sua produção ao longo de quase oito décadas, com a intensão de fazer desta publicação a pedra inaugural para uma catalogação permanente de obras do mestre Volpi, bem como a inspiração de futuros projetos de catalogação de obras de outros artistas brasileiros.

 

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