Apresentação – Catalogação Permanente

APRESENTAÇÃO
Catalogação Permanente

A catalogação da obra de Volpi é um esforço vivo, permanente. O IAVAM está sempre em busca das obras de autoria de Volpi que se dispersaram e das informações sobre a procedência, tradição e circunstâncias expositivas de cada trabalho individual.

O trabalho de catalogação do IAVAM é a continuidade de esforços anteriores interrompidos, que se iniciaram de forma pioneira em 1978 sob a coordenação do Professor Pietro Maria Bardi, então diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, com a participação do próprio artista e a curadoria de João Marino, Jorge Carvalho e Marco Antonio Mastrobuono. Iniciativa que foi seguida na década de 90 pela Sociedade para Catalogação da Obra de Alfredo Volpi, sob coordenação de Ladi Biezus e Domingos Giobbi.

Desnecessário elaborar sobre a importância desse esforço permanente para a preservação e divulgação da memória do artista e sua obra, e na luta contra a circulação de obras de atribuição de autoria duvidosa, contrafações e
provenientes de ilicitudes e litígios.

Felizmente o IAVAM tem tido sucesso nesse esforço, com a catalogação gozando de uma grande credibilidade no mundo das artes, evidenciada pela constante procura e consulta por catalogação de obras, e pela referência ao número de tombo da obra no catálogo, juntamente com os créditos do trabalho, feita por proprietários, galerias, museus, casas de leilão – uma prática quase contínua no mercado atualmente.

O trabalho baseado numa metodologia rigorosa, descrita em outra seção desse site, já conseguiu tombar na base de dados do IAVAM aproximadamente 3.000 trabalhos de autoria atribuída ao Artista. Atualmente, estima-se que o artista tenha produzido cerca de 4 mil trabalhos ao longo de setenta anos.

De tempos em tempos, o IAVAM torna público o catálogo, o evento mais recente foi a impressão e publicação em 2015 da Edição Comemorativa do Centenário da Primeira Pintura, com 2.646 obras atribuídas ao artista.
O Instituto espera em breve poder publicar uma nova atualização.

ANDRÉ MASTROBUONO
Co-fundador e do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna (2020)

Catálogo de Obras 2015 – Edição Comemorativa do Centenário da Primeira Pintura

Datam de 1914 as premissas pictóricas mais antigas de Alfredo Volpi. Paisagens pinceladas à óleo sobre cartões de pequena dimensão. Resultam da inclinação, dos pendores naturais de um rapaz de 18 anos. Antecedem a decisão de pintar que amadurece, progressivamente, após os estímulos e convites de Orlando Tarquínio, seu parceiro, em 1918, nos trabalhos de decoração do Hospital Militar do Ipiranga.

Ao mestre, separar-se daqueles primeiros cartões [acoav 1955 e acoav 1957] custou pena. Readquiriu-os,  conservando-os enquanto esteve entre os vivos. Ainda, cerca de dez anos após seu falecimento, estavam à mostra na parede da sala da casa em que residia.

A presente edição comemora o centenário destes pequenos frutos proféticos. Arautos de gigantesca obra artística. Foram sete décadas de fecundidade que cobriram quase todo o século xx, descontados trinta anos, quinze no início e
outro tanto no ocaso. A longevidade permitiu a expressão artística acompanhar o desenvolvimento da cultura brasileira, maximé paulista, contribuindo decisivamente para dar-lhe caráter e fisionomia estética.

A alegria acompanha também o fato de que o esforço para catalogar a obra de Volpi já sobrevive, com perseverança, há 37 anos contados da iniciativa do saudoso Professor Pietro Maria Bardi, então na condução do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, em parceria com o próprio Volpi ainda em plena e vigorosa atividade. Tivemos a honra de participar da curadoria dessa fase inaugural.

Por duas vezes, o procedimento interrompeu-se. Consequentemente, dois foram os longos períodos de hibernação. Também duas foram as causas paralisantes. Exauriram-se, em ambas as ocasiões, os recursos financeiros e,
de modo crônico, a falta de estrutura institucional explica o duplo desmaio. A constituição do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna – IAVAM veio remediar a segunda e mais perversa das causas, permitindo enfrentar a primeira delas com fundada esperança.

A repetida exaustão de recursos financeiros decorre do sistema que a legislação impõe ao emprego dos recursos públicos mobilizados pelo incentivo da renúncia fiscal. No total, são pequenos, face à penúria crônica na qual
subsiste a subnutrida atividade cultural e artística de nossa gente. A escassez estimula fatiar radicalmente os quinhões a distribuir, de sorte a diminuir o número dos desassistidos, descontentes e frustrados. Os projetos
individualmente contemplados, por tais fatias cujas espessuras beiram a transparência, dependem, por força dos regimentos, de terem começo, meio e fim, resultando num produto demonstrável para quitação de contas.

Já se vê que não se adequam à natureza da catalogação sistemática e racional da obra de um artista, que é permanente e de duração interminável. A procura de trabalhos que se dispersaram e das informações sobre a procedência, tradição e circunstâncias expositivas de cada trabalho individual, prolonga-se indefinidamente, sempre acumulando resultados. A divulgação cultural e a indigitação de contrafações ou circulação de obras, sejam de atribuição duvidosa, sejam de procedência litigiosa ou, mesmo, objeto de ilicitudes, não se concluem. São atividades permanentes.

Somando-se aos motivos de júbilo anteriores, essa edição comemorativa não resulta de patrocínios, nem do emprego de recursos públicos, incentivados ou não. Comemora-se um feito inaugural e promissor. A edição consumiu apenas
o produto de doações voluntárias e privadas. É o fruto do esforço particular dos amantes da obra de Volpi. Independente.

Oxalá o serviço prestado e a qualidade desta doce frutificação anime a perseverança dos que sustentam o Instituto Volpi como instrumento contributivo e eficaz de edificação da arte e cultura brasileiras.

MARCO ANTONIO MASTROBUONO
Presidente do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna (2015)

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